Existe ajuda e depois existe AJUDA.
Danila So Delgado Pinto tem sido uma estrela em ascensão no handebol feminino, como comprovado no Campeonato Mundial Feminino IHF de 2025, quando foi uma das maiores goleadoras da competição, com 43 gols em seis partidas, terminando em oitavo lugar na classificação de artilheiras.
Mas a sua contribuição vai muito além daquela demonstrada em quadra pela seleção espanhola ou pelo clube Gloria Bistrița.
“Em primeiro lugar, fui criada num lar onde vi que tinha muitas possibilidades por viver em Espanha. Os meus pais vieram de África e não era a mesma situação (da Espanha)”, explicou sobre a importância de continuar a sua educação quando adulta. “Eles sempre me ensinaram que eu precisava ser uma pessoa educada, porque o mundo precisa de pessoas educadas, então sempre fui apaixonado por aprender e poder fazer coisas sozinho.
Assim, Delgado está a tentar sensibilizar para a Associação +Oportunidades, um projeto que se dedica a promover a igualdade de oportunidades, a educação, o empoderamento social e os direitos humanos, intervindo em contextos vulneráveis, particularmente na Guiné-Bissau.
“As duas meninas que criaram a associação contactaram-me há cerca de um mês. Perguntaram-me se poderia ser mecenas do projecto e obviamente disse que sim. Nunca estive na Guiné-Bissau, mas tenho muitos contactos lá porque lá tenho muita família. Então disse que sim sem pensar. Tudo aconteceu um pouco rápido, mas neste momento está tudo a correr bem”, conta So Delgado.
O projecto inicial é multifacetado, com So Delgado fornecendo algumas roupas e equipamentos, ao mesmo tempo que ajuda a sensibilizar para um projecto de crowdfunding que irá proporcionar a remodelação da cantina da escola Humberto Braima Sambú em Bissau. Até agora, mais da metade da meta foi alcançada, incluindo a doação da própria So Delgado e de seus companheiros da seleção espanhola e de Bistrița.
“Existe um link, que é um link de crowdfunding por dinheiro, e depois também, bom, sou responsável pela parte mais material, a roupa e tudo o resto, mas o que também lhes interessa muito em mim é que posso promover o desporto feminino, e obviamente faço-o através do andebol”, acrescenta So Delgado.
“A verdade é que não acho que posso apenas fazer uma mudança num país inteiro, mas acho que posso, ou estou num momento em que posso contribuir com um grão de areia, e pelo menos dar visibilidade. E bom, acho que vou explicar mais tarde, porque tenho mais vídeos para carregar, mas acho muito importante contribuir um pouco, porque se todas as contribuições somarem, no final é uma ajuda muito grande.”
Houve outros projectos apoiados pela própria IHF que ajudaram a iluminar o poder do andebol para promover a unidade, o empoderamento e as oportunidades para mulheres e raparigas, desde iniciativas de base na Serra Leoa até ao cenário global.
Em todos os eventos do Campeonato Mundial sênior da IHF, o A IHF fez parceria com hummel e HAND – Handball for A New Destiny, um projeto lançado pela organização FANT, para integrar o handebol com programas educacionais focados em direitos, igualdade e democracia especificamente para meninas em Serra Leoa. Ao combinar atividades desportivas com educação sobre direitos, a HAND pretende capacitar as raparigas, dando-lhes coragem e recursos para construir um futuro melhor para si e para as suas comunidades.
Mas para So Delgado, o projecto de ajuda na Guiné-Bissau é sincero, com a ajuda prestada oferecendo novas oportunidades e oportunidades para as crianças viverem uma vida melhor, em melhores condições.
“É claro que é muito importante, e para mim, bom, afinal venho de uma família de imigrantes, e é uma realidade que tenho perto de mim, apesar de viver na Europa, mas sim, é algo que me está no coração. Acho que é uma forma muito fixe de continuar a sentir a ligação com a comunidade. No final, quando estou em casa, respiro a atmosfera da Guiné-Bissau, das portas para dentro, mesmo estando em Espanha. Então acho que é uma forma de manter a ligação e partilhar com a nossa comunidade”, afirma So Delgado.
“Eu cresci nesta cultura e, com as minhas tias, os meus primos e toda a gente, tivemos a nossa própria bolha dentro de Espanha, neste caso. E para mim é como uma grande mistura de ambas as culturas, tanto a espanhola como a cultura de Bissau. Desde que comecei a escola, tive a minha bolha espanhola, para o dizer de alguma forma. E depois a bolha dos meus pais. Por isso acho que temos uma mistura muito boa, e ambas as culturas podem misturar-se bem.”
Portanto, Delgado não é a única jogadora espanhola a ajudar o país de origem dos seus pais. Kaba Gassama, companheira de defesa tanto na selecção espanhola como em Bistrița, criou um campo de andebol no Senegal, país de origem dos seus pais.
E So Delgado insiste que fará o mesmo nos próximos meses, já que pretende visitar a Guiné-Bissau pela primeira vez.
“No próximo ano irei com certeza para lá. Agora com o envolvimento neste projeto é algo que quero ainda mais”, finaliza o lateral espanhol.
